sexta-feira, 12 de agosto de 2016

NÃO, NÃO SOMOS TODOS IGUAIS

Ainda bem que assim é. Ontem, de regresso ao trabalho, quer na rua quer no local onde trabalho, tive tanto calor que me senti a sufocar e pensei que nunca conseguiria ser bombeira. Não conseguiria percorrer quilómetros dentro dum fato claustrofóbico com uma mangueira na mão, meter-me no meio dum inferno em chamas, trabalhar com discernimento no meio duma batalha inglória, com pessoas à minha volta em desespero, camaradas a tombarem no chão, escassos recursos, gaita, não seria capaz. Mesmo que hipoteticamente o fosse, chegaria o dia em que entregaria o machado, me renderia, perante tamanha incompetência e ineficácia. Penalizar com pena máxima de prisão quem acende o rastilho? Sim, se bem que seja o mesmo que prender o toxicodependente sem chegar ao traficante. Haja tomates neste país!
A minha vénia e o meu maior respeito às centenas de homens e mulheres que lutam pelo combate ao fogo por esse Portugal fora.
"O inferno são os outros", disse Sartre e o mundo tem feito o possível para lhe dar razão.


2 comentários:

  1. Para os bombeiros só tenho uma palavra : admiração.

    ResponderEliminar
  2. Muita. Trabalhar em prol dos outros, em condições terríveis e nem sempre reconhecendo o seu valor.

    ResponderEliminar