Apesar do frio da madrugada, era muita a excitação, a alegria, o barulho, os sorrisos cúmplices entre eles, na partida da primeira grande viagem das suas vidas.
Os finalistas do secundário, rumo à doce vertigem da aventura, quando a vida ainda é uma eterna Primavera, onde o vento sopra sempre a favor e as flores nascem aos nossos pés para nos suavizar os passos.
Um dia saberão que ao entrarem naquele autocarro, era o futuro que os recebia na esperança de vidas felizes e sonhos realizados, por caminhos tantas vezes sinuosos, mas percorridos com vontade, coragem e dignidade ao encontro do que são e do que desejam.
Beijinhos e abraços, divirtam-se, telefonem, mandem mensagem, tenham atenção. Não esqueceste a medicação para as alergias e o protector solar? Não te sentes muito atrás por causa do enjoo.
Ai, mãe, já não sou nenhuma criança (pensas tu!)
E uma pessoa, ali, num estado ambíguo de contentamento e terror, com o braço a acenar até doer, seguindo o autocarro até ele desaparecer do horizonte.
Tão grande, a minha menina mais nova, coisa maiboa de sua mãe.
Tão grande, a minha menina mais nova, coisa maiboa de sua mãe.













